segunda-feira, 24 de setembro de 2018

É o que há

É ano de eleição, é ano de copa
É cada um por si e Deus contra todos
É a vida, é bonita e é bonita
É vidro moído e areia no café da manhã
É o fim do caminho
É tiro, porrada e bomba
É a novidade dando na praia
É o bloco na rua
É o que há
É reggae sim, é reggae não
É a carne mais barata
É o país do futuro

e o que será de nós?

Paralamas do Sucesso - Alagados

sábado, 11 de agosto de 2018

Violetas paixões

Voltei meus espinhos para dentro
Para que as pessoas ao me abraçarem
Não sentissem qualquer sofrimento

Não foi nada fácil
A cada abraço
Minha alma ficava mais frágil

Mas agora aprendi
Preciso escolher meu caminho
Se quero ser flor, preciso aceitar meu espinho

Pois a vida é violenta
Como flor de cardo violeta

Para que não escape é preciso segurar com firmeza
Mas a dor de se machucar pode fazer esquecer da beleza

Barão Vermelho - Pedra, Flor e Espinho

segunda-feira, 30 de julho de 2018



Entre a porta e o botão
Os passos são como o não:
Cheios de medo, disparos do coração...
Sempre serão,
Nunca são...


Belchior - Pequeno Mapa do Tempo

quinta-feira, 10 de maio de 2018

Quando de repente você se vê tendo um tempo que você não imaginava que teria
um tempinho surpreendente, inesperado.
tao raro que você fica confuso, sem saber o que fazer
e tudo que consegue é continuar sem saber...desejando que não acabe.

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Violância

É no limiar entre a descrença e a esperança que a vida se faz, se desfaz e se refaz. Em menos de quatro horas a gente pode viver mais, morrer mais, renascer mais ou nada disso: Uma criança que agradece pelas aulas de História que a incentivaram a querer ir para a escola, disputa o restante de minhas energias com a frase " Um moleque desses devia ter sido abortado"... A disputa é interrompida pela menina que diz que na escola é o único lugar onde ela se sente bem, mas que logo encontra como adversária a frase "Se for pra agredir um aluno desses é melhor matar"

Morte e vida, vida e sabe-se lá o que mais. Nenhuma delas ganha, nenhuma perde. Nada acontece e acontece tudo.
E continuo no limiar, sob a árvore , entremorto, sobrevivo para ouvir as mortes e me armar de vidas:




Belchior - Alucinação (Estamira)

Cantadores

Quando descemos das árvores, cantávamos canções pra criar coragem e espantar o medo. Milhões de anos depois descemos da vida cantando o medo pra enganar a morte. Sobrevivemos. Esse se tornou nosso charme, esse flertar com a morte.

Nos tornamos esses maravilhosos cantadores enganadores da morte... E cá estamos:
Não muito sãos, tampouco salvos... Mas cá estamos.




Perfume Azul do Sol - Deusa Sombria

sexta-feira, 14 de julho de 2017

O copo do dia...

Qual a sua sede hoje?
Sede de mudança? Sede de esperança?
Sede de saudade ou de vingança?

Qual sua sede hoje?
Sede de fugir ou de ficar?

Sede de secar ou de se afogar?

Salgada ou doce?
Qual a água que lavaria sua alma?
A do copo meio cheio ou a do copo meio vazio?
Sede de tempestade ou sede de calma?

Pelo que sua garganta pede?
Sede de cerveja? Sede de ser visto?
De ser ouvido? De ser cantado?
Ou é aquela sede de ser outra coisa?

Sede de uma água que o coração nunca bebeu?
Sede de algo que não se pode beber?
Quem não tem sede pra matar, de sede já morreu
Aos vivos: Ter sede é querer matar pra não morrer...




Ednardo e Belchior - Sinal dos Tempos