sexta-feira, 24 de novembro de 2017

Violância

É no limiar entre a descrença e a esperança que a vida se faz, se desfaz e se refaz. Em menos de quatro horas a gente pode viver mais, morrer mais, renascer mais ou nada disso: Uma criança que agradece pelas aulas de História que a incentivaram a querer ir para a escola, disputa o restante de minhas energias com a frase " Um moleque desses devia ter sido abortado"... A disputa é interrompida pela menina que diz que na escola é o único lugar onde ela se sente bem, mas que logo encontra como adversária a frase "Se for pra agredir um aluno desses é melhor matar"

Morte e vida, vida e sabe-se lá o que mais. Nenhuma delas ganha, nenhuma perde. Nada acontece e acontece tudo.
E continuo no limiar, sob a árvore , entremorto, sobrevivo para ouvir as mortes e me armar de vidas:




Belchior - Alucinação (Estamira)

Cantadores

Quando descemos das árvores, cantávamos canções pra criar coragem e espantar o medo. Milhões de anos depois descemos da vida cantando o medo pra enganar a morte. Sobrevivemos. Esse se tornou nosso charme, esse flertar com a morte.

Nos tornamos esses maravilhosos cantadores enganadores da morte... E cá estamos:
Não muito sãos, tampouco salvos... Mas cá estamos.




Perfume Azul do Sol - Deusa Sombria