sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Sobre as sobras

É sobre fechar os olhos
Abrir os olhos
E o mundo ainda estar lá

É sobre procurar amigos
Velhos ou novos
E não os encontrar

É sobre gritar um silêncio
Que percorre os ossos
E não ouvir ecoar

É sobre dormir
Dormir mais
E acordar cansado

Enfim, é sobre o que resta
Sobre o que sobra

Só pedra sobre pedra



O Terço - Hoje é Domingo

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

O Vão

O vão é grande e cabe tudo
Tudo o que é em vão

Cabe na rua, no corre
Cabe mais um no mundão
Cabe no fundo da sala
Cabe na solidão
Cabe mais um, cabe mais dois
Cabe mais dez no busão
Cabe mais um, sobe mais três
Mais três num cabe, não, jão!

O vão é grande e cabe tudo
Tudo o que é em vão

Cabe no beco, na viela
Cabe no escadão
Cabe na boca miúda
Cabe mais um na função
Cabe na bala, na vala
Cabe no camburão
Cabe mais tiro no peito
Mais ódio no coração

O vão é grande e cabe tudo
Tudo o que é em vão

Cabe no face, no foco
Cabe estendido no chão
Cabe na Folha, no Agora
Cabe no Estadão
Cabe na TV a cabo
Cabe na oração
Cabe mais um no Datena
Mais cem no pavilhão

O vão é grande e cabe tudo

Tudo o que é em vão

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Topografica mente

Lançados na topografia da mente
vamos da euforia do quente
ao zero absoluto do inconsciente


Engenheiros do Hawaii - Descendo a Serra

A morte do toureiro

Toda mente é um labirinto
com ou sem minotauro
nos perdemos e nos encontramos em espelhos
e nos cantos escuros procuramos abrigo
encurralados e ingênuos, seremos encontrados
é só questão de tempo, mas o tempo é suficiente
pra nos convencermos de que ser encontrado não é tão ruim
ao menos o minotauro nos fará companhia
nos segundos antes de nos devorar com indiferença

e se não houver minotauro
quando passar o desejo por abrigo
saíremos novamente atrás de espelhos
esperando encontrar outro canto
um canto no qual haja minotauro
afinal, quando se morre na mente
se nasce em outro lugar.


Engenheiros do Hawaii - Freud Flintstone

domingo, 17 de agosto de 2014

Sobre emoções e reações

    Não aprendemos na escola, mas a violência possui formas que não somente a física. A violência simbólica ou a psicológica pode parecer abstrata demais pro nosso ceticismo e, talvez, por isso mesmo é tão difícil para nós compreendermos as consequências dessas formas de violência. Pois é, a violência simbólica, tal qual a física, produz formas de reação e deixa marcas.
  Já que violência gera violência, entenderíamos muito mais as pessoas ou a sociedade se aventássemos a possibilidade de que as ações e comportamentos seriam reações a um tipo de violência. Reações naturais ou não, podem ser pensadas de outra maneira quando encaradas como legítimas, por partirem de uma iniciativa contra uma situação de injustiça ou de ameaça ao ego.
   É assim com as crianças, que são vistas como indisciplinadas ou agressivas quando podem estar, na verdade,reagindo contra a tirania que as imposições excessivas e sem sentido provocam. É assim com jovens, que podem estar reagindo contra a figura dos pais em seu comportamento rebelde, por sentirem que a identidade que tentam construir é, muitas vezes, censurada pela autoridade dos seus "donos".E pode ser assim com adultos, que agem e comportam-se muitas vezes no limite do que podem suportar e acabam tomando atitudes aparentemente próprias (numa perspectiva reducionista) , mas que são motivadas por sentimentos e emoções incitadas por recorrentes "mini violências".
   Seria legal tentar entender as motivações do outro, e compreender quando se trata de reação à uma forma de violência.Mas isso só será possível quando reconhecermos que as violências simbólicas e psicológicas são tão reais e decisivas quanto a física e, principalmente, quando for do nosso interesse parar pra tentar entender esse outro.


segunda-feira, 14 de julho de 2014

Síndrome de Ícaro

Dentro de nós crescem ditadores...
Primeiro para nós mesmos, proibindo-nos de errar...
Depois para os outros, proibindo-os de acertar

Quanto mais a sério levamos tudo isso, mais invejamos as aves,
Que elas nos poupem desse vexame que é morrer sem voar... :

Como que por vingança de sermos presos ao chão, tivessemos essa necessidade de impedir os vôos alheios...

domingo, 6 de julho de 2014

A lucidez e a loucura são dois lados da mesma moeda. Não são opostos como parecem, só estão virados pra lados diferentes, mas as costas estão coladas e as mãos dadas